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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

Índice

Leitura

A Caza

Gravura de cabeçalho do poema A Caza. Litografia da edição de 1904.

Vê como as aves teem, debaixo d'aza,
O filho implume, no calor do ninho!...
Deves amar, creança, a tua casa !
Ama o calor do maternal carinho !
Dentro da casa em que nasceste és tudo.
Como tudo é feliz, no fim do dia,
Quando voltas das aulas e do estudo !
Volta, quando tu voltas, a alegria!
Aqui deves entrar como n'um templo,
Com a alma pura, e o coração sem susto :
Aqui recebes da Virtude o exemplo,
Aqui aprendes a ser meigo e justo.
Ama esta casa ! Pede a Deus que a guarde,
Pede a Deus que a proteja eternamente!
Porque talvez, em lagrimas, mais tarde,
Te vejas, triste, d'esta casa ausente...
E, já homem, já velho e fatigado,
Te lembrarás da casa que perdeste,
E has-de-chorar, lembrando o teu passado...
— Ama, creança, a casa em que nasceste!