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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

Índice

Leitura

A Velhice

Gravura de cabeçalho do poema A Velhice. Litografia da edição de 1904.

O Neto :

Vovó, porque não tem dentes?
Porque anda rezando só,
E treme, como os doentes
Quando têm febre, vovó?
Porque é branco o seu cabello?
Porque se apoia a um bordão?
Vovó, porque, como o gelo,
É tão fria a sua mão?
Porque é tão triste o seu rosto?
Tão tremula a sua voz?
Vovó, qual é seu desgosto?
Porque não ri como nós?

A Avó :

Meu neto, que és meu encanto,
Tu acabas de nascer...
E eu, tenho vivido tanto
Que estou farta de viver!
Os annos, que vão passando,
Vão nos matando sem dó :
Só tu consegues, fallando,
Dar-me alegria, tu só!
O teu sorriso, creança,
Cae sobre os martyrios meus,
Como um clarão de esperança,
Como uma benção de Deus!