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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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Leitura

As Estrellas

Mulher à janela, de perfil, olha o céu; à direita, quarto com cama e candeeiro. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à esquerda.

Quando a noite cair, fica á janella,
E contempla o infinito firmamento !
Vê que planicie fulgurante e bella !
Vê que deslumbramento!
Olha a primeira estrella que apparece
Além, n'aquelle ponto do horizonte...
Brilha, tremula e vivida... Parece
Um pharol sobre o pincaro do monte.
Com o crescer da treva,
Quantas estrellas vão apparecendo !
De momento em momento, uma se eleva,
E outras em torno d'ella vão nascendo.
Quantas agora !... Vê ! Noite fechada...
Quem poderá contar tantas estrellas ?
Toda a abobada está illuminada :
E o olhar se perde, e cança-se de vel-as.
Surgem novas estrellas imprevistas...
Inda outras mais despontam...
Mas, acima das ultimas que avistas,
Ha milhões e milhões que não se contam...
Baixa a fronte e medita:
— Como, sendo tão grande na vaidade,
Diante d'esta abobada infinita
E' pequenina e fraca a humanidade !