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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

Índice

Leitura

O Universo

Homem de braços abertos sob o céu estrelado e a lua. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à esquerda.

(PARAPHRASE)

A Lua :

Sou um pequeno mundo;
Movo-me, rolo, e danso
Por este céo profundo ;
Por sorte Deus me deu
Mover-me sem descanso,
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.

A Terra :

Eu sou esse outro mundo;
A lua me acompanha,
Por este céo profundo...
Mas é destino meu
Rolar, assim tamanha,
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.

O Sol :

Eu sou esse outro mundo,
Eu sou o sol ardente!
Dou luz ao céo profundo...
Porém sou um pygmêo,
Que rolo eternamente
Em torno de outro mundo,
Que inda é maior do que eu.

O Homem :

Porque, no céo profundo,
Não ha-de parar mais
O vosso movimento?
Astros! qual é o mundo,
Em torno ao qual rodaes
Por esse firmamento?

Todos os Astros :

Não chega o teu estudo
Ao centro d'isso tudo,
Que escapa aos olhos teus :
O centro d'isso tudo,
Homem vaidoso, é Deus!