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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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A Avó

Avó recostada numa poltrona à esquerda, de vestido claro; mesa ao fundo com vaso e livros; uma menina junto à porta; duas crianças brincam à direita, uma de chapéu. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à direita, no original.

A avó, que tem oitenta annos,
Está tão fraca e velhinha!..
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pallida e fria,
Depois de tanta canceira :
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.
Ás vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala...
Entram rindo e papagueiando :
Este briga, aquelle falla,
Aquelle dansa, pulando...
A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabellos doirados.
Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memoria,
Quando um dos netinhos grita :
« Ó vovó! conte uma historia!
Conte uma historia bonita! »
Então, com phrases pausadas,
Conta historias de chimeras,
Em que ha palacios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princezas encantadas...
E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando,
Sobre o seu collo adormecem...