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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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As Estações

Quatro figuras femininas dançam sob árvores; título «As Estações — Canto e Dansa» em arco. Litografia de página inteira da edição de 1904. Iniciais HM embaixo à esquerda.

I — O Inverno

Paisagem de inverno com palmeiras e vegetação baixa. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à direita.

Côro das quatro estações :

Cantemos, irmãs, dansemos !
Espantemos a tristeza !
E dansando, celebremos
A gloria da Natureza !

O Inverno :

Sou a estação do frio ;
O céo está sombrio,
E o sol não tem calor.
Que vento nos caminhos!
Trago a tristeza aos ninhos,
E trago a morte á flôr.
Ha nevoa no horizonte,
No campo e sobre o monte,
No valle e sobre o mar.
Os passaros se encolhem,
Os velhos se recolhem
Á casa, a tiritar.
Porém fóra a tristeza !
Em breve, a Natureza
Dá flores ao jardim :
Abramos a janella !
Outra estação mais bella
Já vem depois de mim.

Côro das quatro estações :

Cantemos, irmãs, dansemos !
Espantemos a tristeza !
E, dansando, celebremos
A gloria da Natureza.

II — A Primavera

Jardim: duas mulheres à esquerda, outra sentada à direita sob árvore. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à direita.

Côro das quatro estações :

Cantemos ! Fora a tristeza !
Saudemos a luz do dia!
Saudemos a Natureza!
Já nos voltou a alegria!

A Primavera :

Eu sou a Primavera!
Está limpa a atmosphera,
E o sol brilha sem véo!
Todos os passarinhos
Já sáem dos seus ninhos,
Voando pelo céo.
Ha risos na cascata,
Nos lagos e na matta,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,
Sugando-lhes o mel.
Dou vida aos verdes ramos,
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flôr das estações!

Côro das quatro estações :

Cantemos! Fóra a tristeza!
Saudemos a luz do dia!
Saudemos a Natureza !
Já nos voltou a alegria !

III — O Verão

Casa de palha à esquerda, palmeiras, figura sentada à direita. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à direita.

Côro das quatro estações :

Que calor, irmãs! Cantemos
Como ardem as ribanceiras !
Cantemos, irmãs, dansemos,
Á sombra d'estas mangueiras.

O Verão :

Sou o Verão ardente,
Que, vivo e resplendente,
Acaba de nascer;
Nas mattas abrazadas,
O fogo das queimadas
Começa a se accender.
Tudo de luz se cobre...
Dou alegria ao pobre;
Na roça a plantação
Expande-se, viceja,
Com a vinda bemfazeja
Do provido Verão.
Sou o Verão fecundo!
Nasce no céo profundo
Mais rútilo o arrebol...
A vida se levanta...
A Natureza canta...
Sou a estação do Sol!

Côro das quatro estações :

Que calor, irmãs! Cantemos!
Como ardem as ribanceiras!
Cantemos, irmãs, dansemos,
Á sombra d'estas mangueiras!

IV — O Outono

Casal no campo à esquerda; casa ao fundo à direita. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à esquerda.

Côro das quatro estações :

Ha tantos fructos nos ramos,
De tantas formas e côres!
Irmãs! emquanto dansámos,
Sahiram fructos das flores!

O Outono :

Sou a sazão mais rica :
A arvore fructifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Creação.
Concede a Natureza
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De jubilo a choupana
De cada lavrador.
Vede como do galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fructo cáe...
Interrompendo as dansas,
Aproveitae, creanças!
Os fructos apanhae!

Côro das quatro estações :

Ha tantos fructos nos ramos,
De tantas formas e côres!
Irmãs! emquanto dansámos,
Sahiram fructos das flores!