As Estações
I — O Inverno
Côro das quatro estações :
Cantemos, irmãs, dansemos !
Espantemos a tristeza !
E dansando, celebremos
A gloria da Natureza !
Espantemos a tristeza !
E dansando, celebremos
A gloria da Natureza !
O Inverno :
Sou a estação do frio ;
O céo está sombrio,
E o sol não tem calor.
Que vento nos caminhos!
Trago a tristeza aos ninhos,
E trago a morte á flôr.
O céo está sombrio,
E o sol não tem calor.
Que vento nos caminhos!
Trago a tristeza aos ninhos,
E trago a morte á flôr.
Ha nevoa no horizonte,
No campo e sobre o monte,
No valle e sobre o mar.
Os passaros se encolhem,
Os velhos se recolhem
Á casa, a tiritar.
No campo e sobre o monte,
No valle e sobre o mar.
Os passaros se encolhem,
Os velhos se recolhem
Á casa, a tiritar.
Porém fóra a tristeza !
Em breve, a Natureza
Dá flores ao jardim :
Abramos a janella !
Outra estação mais bella
Já vem depois de mim.
Em breve, a Natureza
Dá flores ao jardim :
Abramos a janella !
Outra estação mais bella
Já vem depois de mim.
Côro das quatro estações :
Cantemos, irmãs, dansemos !
Espantemos a tristeza !
E, dansando, celebremos
A gloria da Natureza.
Espantemos a tristeza !
E, dansando, celebremos
A gloria da Natureza.
II — A Primavera
Côro das quatro estações :
Cantemos ! Fora a tristeza !
Saudemos a luz do dia!
Saudemos a Natureza!
Já nos voltou a alegria!
Saudemos a luz do dia!
Saudemos a Natureza!
Já nos voltou a alegria!
A Primavera :
Eu sou a Primavera!
Está limpa a atmosphera,
E o sol brilha sem véo!
Todos os passarinhos
Já sáem dos seus ninhos,
Voando pelo céo.
Está limpa a atmosphera,
E o sol brilha sem véo!
Todos os passarinhos
Já sáem dos seus ninhos,
Voando pelo céo.
Ha risos na cascata,
Nos lagos e na matta,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,
Sugando-lhes o mel.
Nos lagos e na matta,
Na serra e no vergel:
Andam os beija-flores
Pousando sobre as flores,
Sugando-lhes o mel.
Dou vida aos verdes ramos,
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flôr das estações!
Dou voz aos gaturamos
E paz aos corações;
Cubro as paredes de hera;
Eu sou a Primavera,
A flôr das estações!
Côro das quatro estações :
Cantemos! Fóra a tristeza!
Saudemos a luz do dia!
Saudemos a Natureza !
Já nos voltou a alegria !
Saudemos a luz do dia!
Saudemos a Natureza !
Já nos voltou a alegria !
III — O Verão
Côro das quatro estações :
Que calor, irmãs! Cantemos
Como ardem as ribanceiras !
Cantemos, irmãs, dansemos,
Á sombra d'estas mangueiras.
Como ardem as ribanceiras !
Cantemos, irmãs, dansemos,
Á sombra d'estas mangueiras.
O Verão :
Sou o Verão ardente,
Que, vivo e resplendente,
Acaba de nascer;
Nas mattas abrazadas,
O fogo das queimadas
Começa a se accender.
Que, vivo e resplendente,
Acaba de nascer;
Nas mattas abrazadas,
O fogo das queimadas
Começa a se accender.
Tudo de luz se cobre...
Dou alegria ao pobre;
Na roça a plantação
Expande-se, viceja,
Com a vinda bemfazeja
Do provido Verão.
Dou alegria ao pobre;
Na roça a plantação
Expande-se, viceja,
Com a vinda bemfazeja
Do provido Verão.
Sou o Verão fecundo!
Nasce no céo profundo
Mais rútilo o arrebol...
A vida se levanta...
A Natureza canta...
Sou a estação do Sol!
Nasce no céo profundo
Mais rútilo o arrebol...
A vida se levanta...
A Natureza canta...
Sou a estação do Sol!
Côro das quatro estações :
Que calor, irmãs! Cantemos!
Como ardem as ribanceiras!
Cantemos, irmãs, dansemos,
Á sombra d'estas mangueiras!
Como ardem as ribanceiras!
Cantemos, irmãs, dansemos,
Á sombra d'estas mangueiras!
IV — O Outono
Côro das quatro estações :
Ha tantos fructos nos ramos,
De tantas formas e côres!
Irmãs! emquanto dansámos,
Sahiram fructos das flores!
De tantas formas e côres!
Irmãs! emquanto dansámos,
Sahiram fructos das flores!
O Outono :
Sou a sazão mais rica :
A arvore fructifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Creação.
A arvore fructifica
Durante esta estação;
No tempo da colheita,
A gente satisfeita
Saúda a Creação.
Concede a Natureza
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De jubilo a choupana
De cada lavrador.
O premio da riqueza
Ao bom trabalhador,
E enche, contente e ufana,
De jubilo a choupana
De cada lavrador.
Vede como do galho,
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fructo cáe...
Interrompendo as dansas,
Aproveitae, creanças!
Os fructos apanhae!
Molhado inda de orvalho,
Maduro o fructo cáe...
Interrompendo as dansas,
Aproveitae, creanças!
Os fructos apanhae!
Côro das quatro estações :
Ha tantos fructos nos ramos,
De tantas formas e côres!
Irmãs! emquanto dansámos,
Sahiram fructos das flores!
De tantas formas e côres!
Irmãs! emquanto dansámos,
Sahiram fructos das flores!




