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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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Meio-dia

Gravura de cabeçalho do poema Meio-dia. Litografia da edição de 1904.

Meio-dia. Sol a pino.
Corre de manso o regato.
Na egreja repica o sino;
Cheiram as hervas do matto.
Na arvore canta a cigarra;
Ha recreio nas escolas :
Tira-se, n'uma algazarra,
A merenda das saccolas.
O lavrador pousa a enxada
No chão, descansa um momento,
E enxuga a fronte suada,
Contemplando o firmamento.
Nas casas ferve a panella
Sobre o fogão, nas cosinhas;
A mulher chega á janella,
Atira milho ás gallinhas.
Meio-dia! O sol escalda,
E brilha, em toda a pureza,
Nos campos côr de esmeralda,
E no ceo côr de turqueza...
E a voz do sino, echoando
Longe, de atalho em atalho,
Vae pelos campos, cantando
A Vida, a Luz, o Trabalho!