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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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O Avô

Gravura de cabeçalho do poema O Avô. Litografia da edição de 1904.

Este, que, desde a sua mocidade,
Penou, suou, soffreu, cavando a terra,
Foi robusto e valente, e, em outra edade,
Servindo a Patria, conheceu a guerra.
Combateu, viu a morte, e foi ferido;
E, abandonando a carabina e a espada,
Veio, depois do seu dever cumprido,
Tratar das terras, e empunhar a enxada.
Hoje, a custo somente move os passos...
Tem os cabellos brancos; não tem dentes...
Porém remoça, quando tem nos braços
Os dois netos queridos e innocentes.
Conta-lhes os seus annos de alegria,
Os dias de perigos e de glorias,
As bandeiras voando, a artilheria
Retumbando, e as batalhas, e as victorias...
E fica alegre quando vê que os netos,
Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte,
Batem palmas, extaticos, e inquietos,
Amando a Patria sem temer a morte!