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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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O Sol

Clareira entre árvores, sol raiando à esquerda, pássaros no céu. Litografia da edição de 1904.

Salve, sol glorioso ! Ao teu clarão fecundo,
A natureza canta e se extasia o mundo.
Que tristeza, que dó, quando desappareces !
Tu, a terra estragada e feia reverdeces;
Abres com o teu calor as sebes perfumadas;
Dás flores ao verdor das moitas orvalhadas;
Os ninhos aquecendo, ás gargantas das aves
Dás gorgeios de amor, e harmonias suaves ;
E, scintillando sobre os tufos de verdura,
Em cada ramo pões uma fructa madura.
A noite é como a morte ; o dia é como a vida.
Ó Sol, quando te vaes, a alma vaga perdida...
Os pensamentos maus são os filhos da treva:
Fogem, quando a brilhar, no horisonte se eleva
O Sol, pae do trabalho, o Sol, pae da alegria...
Salve, nuncio da Vida, e portador do Dia!