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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

Índice

Leitura

O Boi

Bois e lavrador no campo, água em primeiro plano. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à direita.

Quando ainda no céo não se percebe a aurora,
E ainda está molhando as arvores o orvalho,
Sáe pelo campo a fóra
O boi, para o trabalho.
Com que calma obedece!
Caminha sem parar :
E o sol, quando apparece,
Já o encontra, robusto e manso, a trabalhar.
Forte e meigo animal! Que bondade serena
Tem na doce expressão da face resignada!
Nem se revolta, quando o lavrador, sem pena,
Para o instigar, lhe crava a ponta da aguilhada.
Cae-lhe de rijo o sol sobre o largo cachaço;
Zumbem moscas sobre elle, e picam-no sem dó:
Porém, indifferente ás dores e ao cansaço,
Caminha o grande boi, n'uma nuvem de pó.
Lá vae pausadamente o grande boi marchando...
E, por elle puxado,
Larga e profundamente o solo retalhando,
Vae o possante arado.
Desce a noite. O luar fulgura sobre os campos.
Cessa a vida rural.
Ha estrellas no céo. Na terra ha pyrilampos.
E o boi, para dormir, regressa ao seu curral...