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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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A Borboleta

Jardim com portão à esquerda; mulher e criança no gramado; borboleta à direita. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM no portão.

Trazendo uma borboleta,
Volta Alfredo para casa.
Como é linda ! é toda preta,
Com listas douradas na aza.
Tonta, nas mãos da creança,
Batendo as azas, n'um susto,
Quer fugir, porfia, cança,
E treme, e respira a custo.
Contente, o menino grita :
« É a primeira que apanho,
« Mamãe ! vê como é bonita !
« Que côres e que tamanho !
« Como voava no matto !
« Vou sem demora pregal-a
« Por baixo do meu retrato,
« N'uma parede da sala ».
Mas a mamãe, com carinho,
Lhe diz : « Que mal te fazia,
« Meu filho, esse animalzinho,
« Que livre e alegre vivia?
« Solta essa pobre coitada !
« Larga-lhe as azas, Alfredo !
« Vê como treme assustada...
« Vê como treme de medo...
« Para sem pena espetal-a
« N'uma parede, menino,
« É necessario matal-a :
« Queres ser um assassino ? »
Pensa Alfredo... E, de repente,
Solta a borboleta... E ella
Abre as azas livremente,
E foge pela janella.
« Assim, meu filho ! perdeste
« A borboleta dourada,
« Porém na estima cresceste
« De tua mãe adorada...
« Que cada um cumpra a sorte
« Das mãos de Deus recebida :
« Pois só pode dar a Morte
« Aquelle que dá a Vida. »