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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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Natal

Presépio: Maria, José e o Menino na estrebaria; figuras ajoelhadas. Litografia da edição de 1904. Iniciais HM à esquerda.

Jesus nasceu ! Na abobada infinita
Soam canticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro d'aquella pobre estrebaria...
Não houve sedas, nem setins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram offerendas
Para quem tinha de morrer na Cruz.
Sobre a palha, risonho, e illuminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animaes da pobre estrebaria.
Não nasceu entre pompas reluzentes ;
Na humildade e na paz d'este logar,
Assim que abriu os olhos innocentes,
Foi para os pobres seu primeiro olhar.
No emtanto, os reis da terra, peccadores,
Seguindo a estrella que ao presepe os guia,
Veem cobrir de perfumes e de flores
O chão d'aquella pobre estrebaria.
Sobem hymnos de amor ao céo profundo ;
Homens, Jesus nasceu ! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal!
Natal! Natal! Em toda a Natureza
Ha sorrisos e cantos, n'este dia...
Salve, Deus da Humildade e da Pobreza,
Nascido n'uma pobre estrebaria!