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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

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Meia noite

Gravura de cabeçalho do poema Meia noite. Litografia da edição de 1904.

O filho :

Ó Mamãe! quando adormecem
Todos, num somno profundo,
Ha mesmo almas do outro mundo,
Que aos meninos apparecem?

A mãe :

Não creias n'isso! É tolice!
Fantasmas são invenções
Para dar medo aos poltrões :
Não houve ninguém que os visse!
Não ha gigantes nem fadas,
Nem genios perseguidores,
Nem monstros aterradores,
Nem princezas encantadas!
As almas dos que morreram
Não voltam á terra mais!
Pois vão descansar em paz
Do que na terra soffreram.
Dorme com tranquillidade!
— Nada receia, meu filho,
Quem não se affasta do trilho
Da Justiça e da Bondade.