Os mezes
Côro das creanças :
Venham os mezes desfilando!
Cante cada um por sua vez !
Dansemos todos, escutando
O que nos conta cada mez...
Cante cada um por sua vez !
Dansemos todos, escutando
O que nos conta cada mez...
Janeiro
Janeiro :
Eu sou o mez primeiro,
O calido Janeiro !
Ouvi minha canção !
Dou festas e presentes...
E os corações contentes,
Quando appareço, estão.
O calido Janeiro !
Ouvi minha canção !
Dou festas e presentes...
E os corações contentes,
Quando appareço, estão.
Quando appareço, os sinos
Começam crystallinos,
A erguer o alegre som.
Trago para as creanças
Affagos, esperanças,
E festas de Anno-Bom.
Começam crystallinos,
A erguer o alegre som.
Trago para as creanças
Affagos, esperanças,
E festas de Anno-Bom.
Mas, se a alegria espalho,
Desejo que o trabalho
Vos possa reunir :
Mezes, eu vos saúdo !
Eu sou o mez do estudo :
As aulas vão se abrir!
Desejo que o trabalho
Vos possa reunir :
Mezes, eu vos saúdo !
Eu sou o mez do estudo :
As aulas vão se abrir!
Côro das creanças :
Saia da roda o mez primeiro !
Prosiga a dansa jovial!
E entre na roda Fevereiro,
Que é o bello mez do Carnaval!
Prosiga a dansa jovial!
E entre na roda Fevereiro,
Que é o bello mez do Carnaval!
Fevereiro
Fevereiro :
Fevereiro, muitas vezes,
No meio dos doze mezes,
É o mez mais jovial.
É o mez da mascarada,
Da alegria desvairada,
Das festas do Carnaval!
No meio dos doze mezes,
É o mez mais jovial.
É o mez da mascarada,
Da alegria desvairada,
Das festas do Carnaval!
Saem a rua os diabos,
De longos, vermelhos rabos,
E caras de horrorisar,
E o velho, que, dando o braço
Ao dominó, e ao palhaço,
Diz graçolas, a pular.
De longos, vermelhos rabos,
E caras de horrorisar,
E o velho, que, dando o braço
Ao dominó, e ao palhaço,
Diz graçolas, a pular.
Brincae ! por estes trez dias
De festas e de alegrias,
Os vossos livros deixae!
Para alegrar vossas almas,
Batei aos mascaras palmas,
— Depois... aos livros voltae !
De festas e de alegrias,
Os vossos livros deixae!
Para alegrar vossas almas,
Batei aos mascaras palmas,
— Depois... aos livros voltae !
Côro das creanças :
Saia da roda Fevereiro,
Pois já passou a sua vez !
Entre na roda o mez terceiro !
Venha outro mez! Venha outro mez!
Pois já passou a sua vez !
Entre na roda o mez terceiro !
Venha outro mez! Venha outro mez!
Março
Março :
Março, que se adianta,
Traz a Semana Santa,
Em que Jesus morreu :
Foi pela Humanidade
Que elle, todo bondade,
Viveu e padeceu.
Traz a Semana Santa,
Em que Jesus morreu :
Foi pela Humanidade
Que elle, todo bondade,
Viveu e padeceu.
Ha luto na cidade...
Quem se humilhar não ha-de,
Pensando na Paixão?
Na egreja os órgãos cantam,
E as almas se levantam,
Cheias de gratidão.
Quem se humilhar não ha-de,
Pensando na Paixão?
Na egreja os órgãos cantam,
E as almas se levantam,
Cheias de gratidão.
Orae também, creanças!
E, suspendendo as danças,
Lembrae-vos de Jesus,
Que, martyr voluntario,
Morreu sobre o Calvario,
Nos braços de uma cruz.
E, suspendendo as danças,
Lembrae-vos de Jesus,
Que, martyr voluntario,
Morreu sobre o Calvario,
Nos braços de uma cruz.
Côro das creanças :
Março morreu! Prosiga a dansa!
Prosiga a ronda juvenil !
E vamos ver que mez avança:
É o mez de Abril! É o mez de Abril!
Prosiga a ronda juvenil !
E vamos ver que mez avança:
É o mez de Abril! É o mez de Abril!
Abril
Abril :
Eu sou Abril! O seio
Tenho cheiroso, e cheio
De fructos, e de flores.
Abril o outono encerra :
Já pesam sobre a terra
Os ultimos calores.
Tenho cheiroso, e cheio
De fructos, e de flores.
Abril o outono encerra :
Já pesam sobre a terra
Os ultimos calores.
Foi n'este mez que, um dia,
O odio da tyrannia
Um martyr consagrou.
Saudae o Tiradentes,
E os sonhos resplendentes
Que o seu Ideal sonhou !
O odio da tyrannia
Um martyr consagrou.
Saudae o Tiradentes,
E os sonhos resplendentes
Que o seu Ideal sonhou !
Quiz ver a Patria amada
Do jugo libertada,
Digna do seu amor...
— Vós, decorae-lhe a historia,
Honrando-lhe a memoria!
Saudae o Sonhador!
Do jugo libertada,
Digna do seu amor...
— Vós, decorae-lhe a historia,
Honrando-lhe a memoria!
Saudae o Sonhador!
Côro das creanças :
Um novo passo agora ensaia :
Dansemos todos outra vez !
Entre na roda o mez de Maio,
Saia da roda o quarto mez.
Dansemos todos outra vez !
Entre na roda o mez de Maio,
Saia da roda o quarto mez.
Maio
Maio :
Dae-me vivas! Dae-me palmas!
Exultem todas as almas,
Cheias de um vivo fulgor!
Todo o Brasil, congregado,
Saude o mez consagrado
Da Liberdade e do Amor!
Exultem todas as almas,
Cheias de um vivo fulgor!
Todo o Brasil, congregado,
Saude o mez consagrado
Da Liberdade e do Amor!
A grande raça opprimida
Abri as portas da vida,
As portas da Redempção !
Mudei em risos as dores,
Mudei em tufos de flores
Os ferros da escravidão!
Abri as portas da vida,
As portas da Redempção !
Mudei em risos as dores,
Mudei em tufos de flores
Os ferros da escravidão!
Treze de Maio! A desgraça
Findou de toda uma raça!
— Aos beijos, dando-se as mãos
Os brasileiros se uniram,
E o captiveiro aboliram,
Ficando todos irmãos.
Findou de toda uma raça!
— Aos beijos, dando-se as mãos
Os brasileiros se uniram,
E o captiveiro aboliram,
Ficando todos irmãos.
Côro das creanças :
Maio já deu o seu recado...
Prosiga, em dansas, a funcção!
Entre na roda o mez amado,
O alegre mez de S. João!
Prosiga, em dansas, a funcção!
Entre na roda o mez amado,
O alegre mez de S. João!
Junho
Junho :
Em chammas alviçareiras,
Ardem, crepitam fogueiras...
— E os balões de S. João
Vão luzir, entre as neblinas,
Como estrellas pequeninas,
Entre as outras, na amplidão.
Ardem, crepitam fogueiras...
— E os balões de S. João
Vão luzir, entre as neblinas,
Como estrellas pequeninas,
Entre as outras, na amplidão.
Não ha casinha modesta
Que não se atavie, em festa,
N'estas noites, a brilhar:
Não se recordam tristezas...
Estalam bichas chinezas,
Estouram foguetes no ar.
Que não se atavie, em festa,
N'estas noites, a brilhar:
Não se recordam tristezas...
Estalam bichas chinezas,
Estouram foguetes no ar.
Fogos alegres, pistolas,
Bombas! ao som das violas,
Ardei! cantae ! crepitae!
Num largo e claro sorriso,
Seja a terra um paraiso!
Folgae, creanças, folgae!
Bombas! ao som das violas,
Ardei! cantae ! crepitae!
Num largo e claro sorriso,
Seja a terra um paraiso!
Folgae, creanças, folgae!
Côro das creanças :
Ahi vem Julho, o mez do frio.
Vamos os corpos aquecer,
Accelerando o rodopio...
— Póde outro mez apparecer!
Vamos os corpos aquecer,
Accelerando o rodopio...
— Póde outro mez apparecer!
Julho
Julho:
Mais curtos são os dias...
As noites são mais frias,
E custam a passar...
Que commodo o descanço,
Na calma, no remanso,
Na placidez do lar...
As noites são mais frias,
E custam a passar...
Que commodo o descanço,
Na calma, no remanso,
Na placidez do lar...
Que paz, e que franqueza,
Quando, ao redor da meza,
A luz do lampião,
A gente se congrega,
E ao jubilo se entrega
De doce communhão!
Quando, ao redor da meza,
A luz do lampião,
A gente se congrega,
E ao jubilo se entrega
De doce communhão!
Amigos, estudemos!
E esta estação saudemos
Bondosa, que nos traz
As longas noites calmas
Que dão ás nossas almas
O Amor, o Estudo e a Paz!
E esta estação saudemos
Bondosa, que nos traz
As longas noites calmas
Que dão ás nossas almas
O Amor, o Estudo e a Paz!
Côro das creanças :
O mez de julho occulta o rosto.
O seu encanto se desfez...
Entre na roda o mez de agosto!
Entre na dansa o oitavo mez!
O seu encanto se desfez...
Entre na roda o mez de agosto!
Entre na dansa o oitavo mez!
Agosto
Agosto :
Com as chuvas derradeiras,
Molham-se as verdes palmeiras
E os canteiros do jardim.
Já que o tempo não melhora,
Deixemos em paz lá fora
O balanço e o trampolim...
Molham-se as verdes palmeiras
E os canteiros do jardim.
Já que o tempo não melhora,
Deixemos em paz lá fora
O balanço e o trampolim...
Depois das lições, abramos
Livros de contos; leiamos
As ardentes narrações
De aventuras, de viagens
Por inhospitas paragens
E por selvagens sertões...
Livros de contos; leiamos
As ardentes narrações
De aventuras, de viagens
Por inhospitas paragens
E por selvagens sertões...
— De explorações arrojadas
Feitas em zonas geladas,
Em zonas de vivos soes;
E percorramos a Historia,
Honrando e amando a memoria
Dos justos e dos heroes!
Feitas em zonas geladas,
Em zonas de vivos soes;
E percorramos a Historia,
Honrando e amando a memoria
Dos justos e dos heroes!
Côro das creanças :
Fugiu Agosto! Pede entrada
Um novo mez que nos vae dar
A Primavera perfumada!
E o nono mez que vae entrar!
Um novo mez que nos vae dar
A Primavera perfumada!
E o nono mez que vae entrar!
Setembro
Setembro :
Eu trago a primavera;
Trago a aprazivel era
De universaes festins;
Mais bellas, mais viçosas,
Surgem sorrindo as rosas
E as dhalias nos jardins.
Trago a aprazivel era
De universaes festins;
Mais bellas, mais viçosas,
Surgem sorrindo as rosas
E as dhalias nos jardins.
Sou o jovial setembro!
E aos brasileiros lembro
A data sem rival,
Em que o Brasil potente,
Ficou independente
Do velho Portugal.
E aos brasileiros lembro
A data sem rival,
Em que o Brasil potente,
Ficou independente
Do velho Portugal.
As vozes elevemos
Em hymnos, e beijemos
O pavilhão gentil,
Que no seu lemma encerra
O ideal da nossa terra,
A gloria do Brasil!
Em hymnos, e beijemos
O pavilhão gentil,
Que no seu lemma encerra
O ideal da nossa terra,
A gloria do Brasil!
Côro das creanças :
Adeus, setembro! Já descubro,
Cheio de flores, a cantar,
Lepido e alegre, o mez de Outubro.
Que em nossa roda quer entrar!
Cheio de flores, a cantar,
Lepido e alegre, o mez de Outubro.
Que em nossa roda quer entrar!
Outubro
Outubro :
Foi neste mez que, por mares
Cheios de nevoas e azares,
Christovam Colombo viu
Um novo e esplendido Mundo
Surgir do Oceano profundo...
E a America descobriu.
Cheios de nevoas e azares,
Christovam Colombo viu
Um novo e esplendido Mundo
Surgir do Oceano profundo...
E a America descobriu.
As intrigas, os perigos,
A inveja dos inimigos
Não o puderam vencer:
Viu passarem as procellas
Sobre as suas caravellas,
Sem a esperança perder.
A inveja dos inimigos
Não o puderam vencer:
Viu passarem as procellas
Sobre as suas caravellas,
Sem a esperança perder.
Gloria ao Genio destemido,
Que navegou conduzido
Pela sua intrepidez!
Ergamos a voz em festas
Aquelle que estas florestas
Viu pela primeira vez!
Que navegou conduzido
Pela sua intrepidez!
Ergamos a voz em festas
Aquelle que estas florestas
Viu pela primeira vez!
Côro das creanças:
Um outro mez já pede entrada :
Deixem-n'o entrar, que é sua vez!
Em nossa roda bem formada,
Entre cantando um outro mez!
Deixem-n'o entrar, que é sua vez!
Em nossa roda bem formada,
Entre cantando um outro mez!
Novembro
Novembro :
Neste mez, compremos ramos
De bellas flores, e vamos
Aos cemiterios orar!
Só pode ser bom na vida
Quem, com alma commovida,
Sabe os mortos respeitar.
De bellas flores, e vamos
Aos cemiterios orar!
Só pode ser bom na vida
Quem, com alma commovida,
Sabe os mortos respeitar.
Visitemos os finados,
— Aquelles, que, descançados,
Dormem o somno final!
— Mas, logo depois, cantemos!
E com hymnos celebremos
Nossa data nacional!
— Aquelles, que, descançados,
Dormem o somno final!
— Mas, logo depois, cantemos!
E com hymnos celebremos
Nossa data nacional!
Patria que todos amamos!
Aos teus pés depositamos
Saudações e flores mil!
Sempre sobre a tua historia
Fulgure a estrella da Gloria!
Deus engrandeça o Brasil!
Aos teus pés depositamos
Saudações e flores mil!
Sempre sobre a tua historia
Fulgure a estrella da Gloria!
Deus engrandeça o Brasil!
Côro das creanças :
Dansae, dansae mais vivamente!
Saia Novembro, e entre, a cantar,
O mez querido que, contente,
As ferias vem annunciar!
Saia Novembro, e entre, a cantar,
O mez querido que, contente,
As ferias vem annunciar!
Dezembro
Dezembro :
Deixemos as cousas serias!
Sou o bello mez das Ferias,
O bello mez do Natal!
Creanças! tendes saudade
Da casa, da liberdade,
Do carinho maternal?
Sou o bello mez das Ferias,
O bello mez do Natal!
Creanças! tendes saudade
Da casa, da liberdade,
Do carinho maternal?
Sou o bello mez da Infancia!
— Quem trabalhou com constancia,
Debalde não trabalhou :
As aulas estão suspensas;
Tem premios e recompensas
Todo aquelle que estudou.
— Quem trabalhou com constancia,
Debalde não trabalhou :
As aulas estão suspensas;
Tem premios e recompensas
Todo aquelle que estudou.
Quem estudou, finalmente,
Recebe a paga, contente,
Do sacrificio que fez...
— Ferias, collegios fechados
E livros abandonados!...
Eu sou das Ferias o mez!
Recebe a paga, contente,
Do sacrificio que fez...
— Ferias, collegios fechados
E livros abandonados!...
Eu sou das Ferias o mez!
Côro das creanças:
Inda uma vez dansemos rindo!
Vamos ás casas regressar...
O anno acabou! Dezembro é findo!
Vamos agora descansar!
Vamos ás casas regressar...
O anno acabou! Dezembro é findo!
Vamos agora descansar!
