Anno Bom
Anno-Bom. De madrugada,
Bebê desperta, e, assustada,
Avista um vulto na cama.
Que será? Que medo! E, tonta,
Eis que Bebê se amedronta,
Chora, grita, chama, chama...
Bebê desperta, e, assustada,
Avista um vulto na cama.
Que será? Que medo! E, tonta,
Eis que Bebê se amedronta,
Chora, grita, chama, chama...
Mas, quando se abre a cortina,
Quando o quarto se illumina,
Bebê, de pasmo ferida,
Vê que o medo não é justo :
Pois a causa de seu susto
E' uma boneca vestida.
Quando o quarto se illumina,
Bebê, de pasmo ferida,
Vê que o medo não é justo :
Pois a causa de seu susto
E' uma boneca vestida.
Que linda! é gorda e corada,
Tem cabelleira dourada
E olhos côr do firmamento...
Põe-na no collo a creança,
E de olhal-a não se cança,
Beijando-a a todo o momento.
Tem cabelleira dourada
E olhos côr do firmamento...
Põe-na no collo a creança,
E de olhal-a não se cança,
Beijando-a a todo o momento.
Nisto a mamãe apparece.
Como Bebê lhe agradece,
Com beijos, risos e abraços!
— Porém, logo, de repente,
Diz á mamãe, tristemente,
Prendendo-a muito nos braços :
Como Bebê lhe agradece,
Com beijos, risos e abraços!
— Porém, logo, de repente,
Diz á mamãe, tristemente,
Prendendo-a muito nos braços :
« Mamãe! como sou ingrata!
« Com tantos mimos me trata,
« Tão boa, tão dedicada!
« Dá-me vestidos e fitas,
« Dá-me bonecas bonitas,
« E eu, mamãe, não lhe dou nada! »
« Com tantos mimos me trata,
« Tão boa, tão dedicada!
« Dá-me vestidos e fitas,
« Dá-me bonecas bonitas,
« E eu, mamãe, não lhe dou nada! »
« Tolinha! (a mãe diz, num beijo)
« As festas que eu mais desejo,
« O minha filha, são estas :
« A tua meiga bondade
« E a tua felicidade...
« Não quero melhores festas! »
« As festas que eu mais desejo,
« O minha filha, são estas :
« A tua meiga bondade
« E a tua felicidade...
« Não quero melhores festas! »
