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Poesias infantis

Olavo Bilac · 1904

Índice

Leitura

Anno Bom

Gravura de cabeçalho do poema Anno Bom. Litografia da edição de 1904.

Anno-Bom. De madrugada,
Bebê desperta, e, assustada,
Avista um vulto na cama.
Que será? Que medo! E, tonta,
Eis que Bebê se amedronta,
Chora, grita, chama, chama...
Mas, quando se abre a cortina,
Quando o quarto se illumina,
Bebê, de pasmo ferida,
Vê que o medo não é justo :
Pois a causa de seu susto
E' uma boneca vestida.
Que linda! é gorda e corada,
Tem cabelleira dourada
E olhos côr do firmamento...
Põe-na no collo a creança,
E de olhal-a não se cança,
Beijando-a a todo o momento.
Nisto a mamãe apparece.
Como Bebê lhe agradece,
Com beijos, risos e abraços!
— Porém, logo, de repente,
Diz á mamãe, tristemente,
Prendendo-a muito nos braços :
« Mamãe! como sou ingrata!
« Com tantos mimos me trata,
« Tão boa, tão dedicada!
« Dá-me vestidos e fitas,
« Dá-me bonecas bonitas,
« E eu, mamãe, não lhe dou nada! »
« Tolinha! (a mãe diz, num beijo)
« As festas que eu mais desejo,
« O minha filha, são estas :
« A tua meiga bondade
« E a tua felicidade...
« Não quero melhores festas! »